sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

O portal abre-se mais uma vez

     Boa noite, meus queridos! Espero que tenham tido ótimos momentos desde a última vez em que nos encontramos.
     Ultimamente tenho andado muito preocupado com a qualidade de meus escritos por isso ando hesitando um pouco em por minhas ideias no papel. Outra preocupação é o excesso de subjetividade: às vezes acho que só eu entendo o que está escrito. Este poema que irei apresentar hoje, apesar de ser um tanto subjetivo, parece ter ficado de fácil compreensão e sem comprometer o meu estilo de escrita. Espero que apreciem tanto quanto eu apreciei em fazê-lo. Levei cerca de 5 dias para finalizá-lo.


                                   SAMHAIN

 
Do alto da torre de teus desejos
Jogaste um frágil receptáculo
Despedaçaste o teu próprio sonho
E eu ganhei mais uma cicatriz

Não mais desejarei em meu íntimo
Ter uma ínfima parte da onipotência
E da luz da ínfima lua nova
Para iluminar-te e contigo sempre estar

A escrita já não importa mais
As palavras foram destituídas de significado
As odes já foram todas banidas
Porém elas forçam a fina película

Não há mais o que dizer para ti
Já não tenho certeza do timbre da tua voz
Que outrora cantou doces sinfonias
Que foram substituídas por um réquiem

Por que essa sensação estranha
De que as lembranças foram embalsamadas?
Deixai que elas se decomponham
Assim é o processo, o fim da existência!

Aproveite então o gozo de não haver mais uma ligação
Aproveitarei a minha recém-adquirida liberdade
Enquanto tu alegremente desfrutas
Da mais doce de todas as prisões!




   

sábado, 12 de janeiro de 2013

Os males oriundos da necessidade de identificar-se com algo


    Boa noite, meus ilustres visitantes! Espero que esteja tudo bem com vocês!
    Hoje não vou mostrar nenhum poema. Como já disse antes, este não é um espaço apenas para poesia mas também para debates. Gostaria de falar hoje sobre algo que causa sofrimento nas pessoas: o ato de identificar-se com algo..
   O ato em questão consiste em projetar sua imagem em algo, que pode ser uma religião, uma ideologia, um artista... esses são os exemplos mais comuns. Muitas pessoas falam “Identifiquei-me com essa música!” ou com esse filme, com essa ideologia. Vocês já devem ter ouvido isso, assim como também devem tê-lo dito. A questão é: como isso traz sofrimento?
   Quando nos identificamos com algo, nos projetamos ali. O nosso objeto de identificação passa a ser parte de nós, ou melhor dizendo, passa a ser a nossa própria pessoa, exteriorizada. É uma espécie de espelho metafísico, criado por nós e que só existe na nossa mente. Ninguém olhará para o objeto e dirá que está te vendo. Lógico, há casos em que vemos algo e lembramos de outras pessoas porém creio que isso é um outro caso.
   Os efeitos da criação desse espelho é o seguinte: qualquer coisa que se diz em relação ao objeto de nossa identificação é tida como se houvesse sido dita para nossa própria pessoa. É muito bom quando esse objeto recebe elogios, gostamos muito, não é? O problema é quando alguém fala mal do nosso querido espelho: como tudo que é dito para ele é tomado como se fosse conosco, então acabamos nos ofendendo também. E isto leva ao sofrimento pois nos sentimos atingidos, abalados e atacados de forma violenta. Muitas vezes não chegam a ser ofensas, apenas opiniões contrárias e críticas não destrutivas e mesmo assim tomamos como uma grave ofensa à nossa pessoa.
   Como fazer para não sofrermos então? Segundo Krishnamurti, grande pensador indiano ( eu recomendo), devemos nos afastar desses conceitos, não devemos toma-los como parte de nós. Assim não sofreremos, não discutiremos desnecessariamente com outras pessoas e teremos mais paz.
   Alguns irão ler isto e dizer que isso é impossível, se não tivermos nossos gostos perderemos nossa individualidade. Mas é justamente o oposto: você a recupera. A cada ideia criada por outra pessoa que seguimos, sem questionar, deixamos de ser nós mesmos, deixamos de ser pessoas flexíveis, tornamo-nos apenas a continuação de um conceito
    Mas aí alguns indagarão: quer dizer que eu tenho de deixar de ter minha religião, meu partido político, minha ideologia? Para se tornar um ser totalmente individual? Na minha opinião, sim. Vale salientar: MINHA opinião, não uma verdade absoluta!
     Citarei como exemplo a religião (advertirei que tudo o que direi a seguir não se aplica somente à religião: aplica-se à ideologias como um todo) . Digo que a questão do conceito é mais forte nela pois para você ser adepto dela, tem de seguir suas regras. Ora, se você não as segue, você não segue aquela religião. E aqui encontramos  a confusão que as pessoas fazem entre RELIGIÃO E RELIGIOSIDADE. A primeira é um sistema organizado, com regras, deveres e punições e é seguida por um grupo. A segunda é algo individual, que pode ser um amálgama de ideias de outros grupos, uma ideia própria ou ambos. Muitas pessoas dizem que são católicas, mas na verdade são cristãs. Católico é quem segue o catolicismo, cristão é alguém que crê em Deus e em Cristo. O cristão não precisa ser católico, nem mesmo ter uma religião. Em suma: todo Católico é cristão, todavia nem todo cristão é católico.
     Porém desejo muito acrescentar que o que foi dito aqui não precisa ser feito por todos. Essa questão de não seguir religião e não ter uma ideologia é algo opcional ( foi o caminho que adotei). Você não precisa deixar de ser católico, budista, bruxo (não gosto da palavra “neo-pagão”, tem um sentido pejorativo), ateu, socialista, anarquista, deixar de votar e seguir as ideologias de seu partido político. Inclusive acredito possuir uma ideologia possa até servir para que você se torne uma pessoa melhor e que isso possa beneficiar você e outras pessoas. Você não precisa ser tão radical ( no bom sentido da palavra). Basta apenas ter em mente algo: sua ideologia não é você, não é parte de você, não é sua família, não há motivo para ficar tão revoltado porque alguém demonstrou ter uma opinião diferente da sua. Meu conselho é que você canalize essa revolta para outras causas: revolte-se contra as inúmeras injustiças que ocorrem no mundo. Voltando ao assunto, eu até acho meio entediante quando pessoas conversam e só fazem concordar uma com a outra. Chega um momento que a conversa se torna improdutiva. Bom é o choque de ideias! Muitas vezes quando duas ideias se colidem, nasce uma terceira! Isso não é maravilhoso?
     Bom, termino minha fala aqui. Espero que tenham gostado da conversa. Se possuem algo a acrescentar, gostaria muito de ouvir. Se não for o caso, tenham uma boa noite e até breve!
    

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Amor doentio

    Boa noite, meus queridos! Como têm passado? Espero que tão bem quanto eu.
    O poema que apresentarei hoje falará de um assunto sério: pedofilia. Muitas vezes vem disfarçada em forma de piadas que não tem graça. Não é nada agradável ouvir coisas do tipo " Se tem mais de 12 eu pego", é simplesmente nojento! Além do quê muitos é conhecido o fato de que muitos homens com mais de 20 anos ficam nas portas dos colégios atrás das meninas de 15, 16 anos. E na internet, em sites de memes, tinham imagens de adolescentes se exibindo e com piadas do tipo "Pode me prender, seu guarda." Felizmente, isso acabou.
     Vocês podem achar minha posição muito conservadora (soa muito estranho eu dizer isso) mas não creio que alguém com menos de 18 anos devesse namorar. Não falo isso para me defender (namorei pela primeira vez aos 22 anos) mas eu acho que alguém com essa idade não deveria estar se preocupando com relacionamentos, sua mente ainda está a se formar.Nesta idade, devemos procurar nos divertir e ao mesmo tempo começarmos a nos preparar para uma vida mais séria, despir-nos dos preconceitos e preocupar-nos em ser pessoas melhores, tanto para nosso bem como para o do próximo. Relacionamento é algo muito sério para uma pessoa tão jovem: ela não consegue conceber a ideia de amor. O problema é que nossa sociedade banalizou o sexo e o relacionamento. Na verdade, várias coisas são banalizadas, inclusive a arte... mas creio que já falei disso por aqui antes.
      Agora, vamos ao poema.  Ele foi escrito do ponto de vista do pedófilo. Estava com a ideia há um mês, já havia escrito alguns versos num rascunho mas foi graças a uma conversa sobre o assunto no Facebook que pude finalizá-lo. Uma conversa deveras inspiradora, com certeza!


                PEDOFILIA

Venha para mim, minha doce criança
Far-te-ei sentir coisas que em tua idade
Jamais sonharias, de modo algum!
Libertar-te-ei dos limites da infância!

Mostrar-te-ei o prazer de uma vida a dois
Deixe-me tocar teu delicado corpo
Sussurrar palavras em teu ouvido
Ver teu inocente rosto ruborizar-se!

Conduzir-te -ei ao mundo dos adultos
De forma precoce, nele tu adentrarás
Esqueça teus amigos e família
Esta é a verdadeira felicidade!

Não há crime no nosso romance
Pois recriminam tudo que foge dos padrões
Amar-te ei a tua décima primavera
From thirteen until seventeen!

O quê? Comigo não virás?
Preferes ficar com tua pueril inocência?
Aproveitar cada segundo da mesma?
Pois não quer perder teu mais precioso bem?

Queres primeiro aprender a amar a humanidade
Para depois poder amar alguém?
Aprender a tratar bem o coletivo
Para depois partir para o indivíduo?

Pois bem, vá, segue teu rumo!
Não forçar-te-ei a ficar
És livre para fazeres o que quiseres
Não porei correntes em ti!

Adeus , meu lindo infante!
Se por acaso um dia quiseres voltar
Não mais estarei aqui a te esperar
Terás crescido e teu encanto terá acabado!

 


domingo, 6 de janeiro de 2013

Sarcasmo

      Boa noite, meus caros! Como têm passado? Já estão acostumados com o novo ano? Pergunto isso pois quando passamos por mudanças, muitas vezes pensamos que ainda estamos no passado, o que é bastante comum. Porém essa é uma tendência que tende a sumir com o passar do tempo.
      O poema que mostrarei hoje é uma crítica sobre a banalização do amor. É um diálogo entre um homem e uma mulher. Não é baseado em uma história única, apenas fruto de uma série de observações e reflexões minhas.

   VAMOS AMAR

HOMEM:
Vamos amar, vamos amar
Direi que meu amor sempre foi teu
Mesmo que nossa história de amor
Ainda tenha um mês para completar

Vamos amar, vamos amar
Direi que meu coração e corpo
Sempre serão fiéis mesmo com
A distância que está a nos separar

Eu te amo, tu me amas
Nós nos amamos, não é verdade?

MULHER:
Vamos nos amar, vamos nos amar
Para ti, serei divinamente bela
Contudo não te desesperes se
A outros porventura eu encantar

Vamos amar, vamos amar
Serei a tua eterna Julieta
Prometo que teus lábios sempre serão
Os últimos que irei beijar

Eu te amo, tu me amas
Nós nos amamos, não é verdade?
HOMEM:
Não!
MULHER:
Não?
HOMEM:
Não!
MULHER:
No!
HOMEM:
Non, Ie, Nein!
MULHER:
C’est fini! (?)

terça-feira, 1 de janeiro de 2013


      O 1° sono do ano não foi tão calmo. Acordou várias vezes. Não eram pesadelos. Em, parte, era o abrasador calor que fazia. Contudo o principal motivo era outro: eram as palavras que dançavam e cantavam de forma frenética em sua mente. O barulho que elas faziam não deixava com que o sono dele fosse pleno. Foram inúmeras as vezes que seus olhos abriram e fecharam e as vezes em que rolou em seu leito.
      Quando despertou, o sol já estava alto no céu. Sua fronte encontrava-se bastante suada. Levantou-se e foi ao banheiro, precisava urgentemente refrescar-se. Ato concluído, sentou-se um pouco para aproveitar a sensação de frescor recém-adquirida. Passados alguns minutos, foi comer algo leve, não estava com tanta fome. O calor, sim, este estava maior. Apesar do banho ele não havia se dissipado. Havia amenizado, é verdade mas não desapareceu por completo.
   Terminada a sua refeição, apressou-se em pegar da caneta e do papel. Agarrou-os de uma forma maníaca e alucinada, parecendo um louco. Nunca havia feito isso dessa forma. Seus olhos estavam arregalados, suas mãos tremiam, o coração palpitava com uma força tremenda, sentia seu tórax lutando para contê-lo. Desesperadamente, procurou por um título para seu mais novo escrito e só veio uma palavra à mente. Acrescentou mais algumas e estava pronto. Agora poderia trabalhar. Poderia expor seu mais novo amor da forma mais obsessiva e ensandecida possível. Não se importava com o que fossem dizer depois. Não se importava que o chamassem de louco, de alucinado, de doidivanas. O que importava é que estava apaixonado. Estava amando. Como nunca havia amado em toda a sua vida.

                                         
                  MEU VERDADEIRO AMOR

 Como é incontrolável, deveras dominador
 Toma conta do meu ser de forma total
 Como se fosse um reinado despótico
 Que elimina da resistência qualquer sinal

 Eu te amo, eu te desejo, eu te venero
 Como nunca havia amado antes
 Parar de te amar? Jamais!
 Não tenho tais pensamentos hesitantes!

Eu te amo de todas as formas possíveis
Em todas as situações, em todos os lugares
E o faço de forma intensa e louca
Erguendo para ti mil altares!

Eu amo quando te violentam
Tiram a privacidade de teu corpo de forma violenta
Melhor ainda quando ninguém te protege
E tua agonia é atroz e lenta!

Amo quando és explorado em demasia
E não lhe pagam quase nada
Quando vais às ruas protestar
E é reprimido pelo Estado a pauladas!

Amo por demais quando tu recebes desprezo
No fatídico momento em que envelheces
Quando és escorraçado, maltratado
 E não recebe o respeito que mereces!

Amo quando tu produzes belas artes
Mas ninguém as aprecia
És esquecido e ostracizado
Por causa de pseudo-artes vadias!

Amo quando tu és discriminado
Por tua opção sexual ou tua cor
Quando por isso és impedido de viver
E cada vez mais aumenta a tua dor!

Amo quando te deixam na miséria
Depois de inúmeras promessas de campanha
Quando eles sentam no trono e descansam
Enquanto a tua tristeza é tamanha!

Amo quando matam os teus iguais
Por causa de território e religião
Quando a racionalidade finalmente perde
Para a toda poderosa alienação!

Amo você por demais, seu animal!
Quando em ti fazem desnecessários testes
Apenas o fazem por ti achar inferior
Membro de um grupo de pestes!

Eu vos amo em toda vossa angústia
Pois revolto-me contra ela
A cada golpe, represália e grito de dor
Sinto-me mais amalgamado a ela!

Bem gostaria de poder amar-vos
Sem que sentissem dor e sofrimento
Mas pelo fim deles eu lutarei
Retirarei forças de vosso tormento!

Meu amor por vós é imortal
A palavra para ele é “perfeito”
Pois não nenhuma esperança nele
Para um amor, é um grande defeito!

Não espero que me amem de volta
Já que nem mesmo sabes de minha existência
É bem melhor que assim seja
Não haverá risco de dor e demência

Do fundo do meu revoltado ser
Faço esta declaração de amor sincera
Que não começou agora e nunca terminará
Que apenas se intensificará nesta nova era!

Eu vos amo e por vós lutarei
Até o dia em que não mais sofrereis
Aí então nós poderemos em paz viver
E apenas canções de felicidade vós cantareis!













sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Marcha do lixo


      Boa noite, meus caros! Há quanto tempo! Como têm passado?
      Sim, de fato voltei antes do previsto e oficialmente estou de volta porém não com poesia. Eu estarei aqui para falar de um protesto que houve hoje, a “Marcha do lixo”, cujo propósito era depositar lixo na frente da prefeitura, como uma forma de protesto contra a falta de coleta de lixo na cidade de Natal.
      O que foi bastante interessante, como estava a comentar com meu colega blogueiro Marquidones “Zero”, é que não só estudantes estavam envolvidos no protesto. A população esteve unida contra a má gestão da prefeitura e não apenas um segmento da mesma.
     Como vocês verão nas fotos, o lixo foi removido por uma carro da Líder. O que chamou a atenção foi a rapidez com que o carro veio: depois de cerca de 50 mins depois do início do protesto, ele veio para recolher o lixo. Ah, se fosse sempre eficiente assim... o povo, Manifestantes sentaram-se na rua para que o lixo não fosse recolhido. Depois de muita conversa, o lixo foi recolhido, sob gritos de protesto dos manifestantes.
     O atual prefeito, Ney Lopes jr, apareceu para falar com os manifestantes, atitude rara num político (quantas vezes Micarla falou com o povo?). Não estou aqui a defender o prefeito mas a atitude dele foi deveras interessante, isso não se pode negar. Disse que havia pago os garis e cerca de 70% dos trabalhadores do município e que a coleta estava sendo regularizada. De fato, ontem vi um carro da Líder nas ruas do centro mas o processo está sendo lento. Espero que o processo se agilize depois do protesto de hoje.
     Infelizmente havia um sujeito no meio do protesto que ficava criticando aqueles que segundo ele, "ficão apenas tirando fotos" e " só ficam olhando". Ele se acha revolucionário mas na verdade só queria aparecer mesmo. O verdadeiro revolucionário não critica, ele instiga os outros a se revoltarem. Meu desinformado cidadão e pseudo-revolucionário, para você que não sabe, existem muitas maneiras de se manifestar e revoltar. Gritar palavras de ordem é uma delas e era o que muitos estavam fazendo. E a presença é importante, já que mostra que várias pessoas estão insatisfeitas e deixa o movimento mais numeroso e consequentemente mais forte. Você se diz revolucionário mas não sabe nada, meu caro. 
     Vejam agora algumas fotos que tirei no protesto. No nosso próximo encontro, prometo que trarei um poema para mostrar-lhes, Até nosso próximo encontro, que não mais tardará. As atividades no Château Noir estão de volta.

                                       
                                     Início do protesto (aproximadamente 15:20)



                                               
                                   Rua Ulisses Caldas bloqueada pelo lixo. 

                               Este guarda municipal usou da força contra um senhor que estava manifestando sua insatisfação com a falha administração da cidade. Felizmente nada de mais grave aconteceu.


                                            
                     Manifestantes sentam-se na calçada para impedir que a líder viesse tirar o lixo.
            Policiais disseram que estávamos obstruindo o direito de ir e vir das pessoas. Mas o       Estado não viola nossos direitos todos os dias? Direito  à saúde, à educação, etc? 
                                   

                                     
                             Se sempre houvesse essa eficiência seria ótimo!

                                               
                                              Panfleto sobre o protesto

                          
                    O atual prefeito Ney lopes Jr. falando com os manifestantes.

                                        
                                     Após a conversa com Ney lopes Jr.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Procura


 Era noite. O vento soprava de forma suave, quase imperceptível. Apesar de ser noite, ainda fazia um certo calor, comum nesta época final do ano. Uma coruja fazia um voo solitário por cima do castelo. Ao olhar para ela, notou que havia uma tênue luz que vinha da janela no andar de cima. Será que ele poderia estar lá?
     Aproximou-se da entrada de forma lenta. Por que essa necessidade de não fazer barulho? Afinal, não queria ser ouvido, falar com ele mais uma vez? Perguntou-se se havia sido a única pessoa a vir aqui nesse tempo em que ele ficou ausente. O silêncio era tão opressor que poderia ouvir seu próprio coração bater. Ansiedade? Pelo quê?
     Colocou a mão na porta, empurrando-a. A porta estava aberta. Por que não estava trancada? Mas é claro! Quem é que viria aqui neste solitário pedaço de mundo? Apenas aqueles que gostam de vir aqui frequentam estas regiões ermas e estes são pessoas confiáveis. A existência deste local é desconhecida para a maioria dos seres vivos. E além do mais, não há muitos objetos de valor por aqui. Então, trancar a aporta para quê?
     Empurra a porta. Ela se abre, emitindo um ruído característico. Nota que um candelabro está aceso e as velas estão no fim, não durarão mais do que meia hora. Há uma luz que vem dos aposentos superiores. Decide ir até lá todavia algo chama a atenção. Um caderno em cima da mesa, com algo escrito. Pelos traços, parece que foi escrito com uma certa calma, a letra está legível, apesar de não ser muito bonita. Pega do papel, senta-se à mesa e começa a ler.
     
       

            O mundo. Este lugar onde vivo atualmente. Alguns dizem que nele já vivi em outras épocas, que não é a primeira vez que percorro este planeta. Houve outras épocas, outras sensações, outros nomes. Nada posso dizer a este respeito, já que não há recordações que não sejam desta época atual. Isso também não mais me interessa. Não mais. Tenho outras preocupações mais palpáveis.
      Meus pensamentos não são mais os mesmos, assim como o meu corpo. A mudança é notável, não é preciso ser deveras perceptivo para percebê-la. Poupo tempo, não é necessário descrever nada, basta um simples olhar e tudo será apreendido de imediato. No caso dos pensamentos, já não é tão simples. Não se pode perceber as vicissitudes da mente em um relance, é necessário uma análise profunda, contudo uma breve síntese da situação pode ser providenciada. Não deve ser uma tarefa das mais árduas. Parece que também seria um grande favor para os que possuem a dúvida em seu interior.
      Dizem que quanto mais distante do mundo alguém se encontra, mais perto de se encontrar.  Pode até ser verdade, mas essa antítese traz certas consequências. Primeiramente há um certo ostracismo ideológico da maioria em relação a este ser, este podendo ser involuntário ou não ( na maior parte das vezes não o é).  O problema maior surge quando o ostracizado não está acostumado com a solidão e dela não sabe tirar proveito, devido a uma mínima quantia de sabedoria (se é que se pode medi-la) e devido à educação que é dada a todos, já que se acredita cegamente que alguém só pode ser feliz na companhia de outrem ou de um grupo. Pode –se citar também a evolução mental, que parece ser o maior dos pesos, já que não há mais a desculpa do não-saber.  Todas as ações, as falas e pensamentos que são nocivos são censurados imediatamente. Não se pode falar de verdade de uma maneira geral (afinal, qual é a Verdade? Não seria mais correto falar sobre “verdades”?) contudo deve-se concordar que a consciência é implacável, especialmente quando seu possuidor tem acesso a conhecimentos mais profundos, quando este começa a ver de forma mais profunda. A dor do erro chega quase que imediatamente, junto com a censura do ato. Como escapar de tão ferrenha fiscal?
     A resposta para essa questão? Ela não existe. Sim, não há motivo para tanto espanto. Garanto que esta não é a primeira vez que uma pergunta ficou sem resposta e nem será última. Entretanto, existe uma alternativa: não mais errar. Dessa forma não se sofre mais as críticas da consciência e o sofrimento cessa, o do criminoso e daqueles que estão próximos a ele, as suas vítimas.
      Alguns recorrem a meios para auxilia-los nesta empreitada. Uns buscam ajuda na religião (embora vários destes a usem apenas como uma fachada para seus erros), outros buscam o ensinamento dos grandes mestres da sabedoria e há aqueles que buscam em ambas as alternativas. Os mais sensatos também observam e estudam seus próprios atos. Se deve haver uma mudança, por que não começar a se observar para depois buscar fontes externas?
      Porém de que adianta tudo isso se não há um certo afastamento, se não se fica longe das fontes que causam o sofrimento? Sartre dizia que o inferno são os outros. Ela não deixou de ter razão, contudo seria correto por a culpa apenas nos outros?
      Uns poucos preferem se afastar, para assim poder purificar suas mentes, apara que não haja influências externas. O pensamento oriental diz que é bastante recomendado praticar uma reflexão solitária a fim de evitar contaminação e/ ou distração da mente que almeja alcançar o estado superior. Deve-se ratificar que não se trata de uma verdade absoluta, é apenas mais uma opção entre tantas.
     Por isso, existe esse vazio. Porque a opção do Oriente pareceu mais viável. Todavia é preciso lembrar-se do estado de impermanência que diz que nada dura para sempre. Que nada terá a mesma forma e aparência sempre, que tudo destina-se ao fim. Creio que essa seja uma verdade muito visível, apesar de muitos não perceberem. Mas basta apenas uma pequena análise e tudo fica compreensível. Nada escapa do tempo. Este sim é absoluto, muito diferente de nossas crenças, pensamentos e vaidades. Ele é o verdadeiro imortal...
     Tudo isso para lembrar que nem sempre a morte é o único meio de acabar com o sofrimento. É possível que um árduo esforço solitário possa cumprir essa tarefa. Ou não. Depende se a escolha foi correta.
    Desta vez parece que foi.

     Após a leitura, fecha o caderno. Realmente era isso mesmo, como havia sido dito antes.Olha para a luz que vem do andar de cima. Levanta-se e decide ir embora. Não é preciso subir as escadas. A mensagem foi compreendida. Sem nenhuma hesitação, sai do castelo e decide que deverá passar um tempo longe daqui. Será que mais um mês de ausência será suficiente para ele?
     Enquanto o visitante se distancia, uma figura, cuja identidade é protegida pelas sombras de seus tenebrosos aposentos, observa seus passos da janela superior do castelo. A figura dá um leve sorriso. então, com um repentino vento, as luzes do castelo se apagam e não é mais possível ver nada do seu interior.A única luz que se vê é de uma pálida lua crescente e esta já está a morrer no horizonte oeste...