sábado, 20 de setembro de 2014

Mudança de estação

   Boa noite, meus queridos visitantes! Como estão vocês? Há muito não nos vemos, não?  Como havia explicado antes, há motivos para a minha ausência por tanto tempo. Contudo, vamos conversar um pouco antes que mostre o poema.
    Ultimamente tenho rabiscado vários versos melancólico-filosóficos, embriões de futuros poemas que serão trabalhados com muito cuidado, especialmente para vocês. Este que apresentarei hoje foi terminado na Quinta-Feira passada. Espero que gostem do meu, como posso dizer, retorno às raízes, só que de uma forma mais trabalhada. A temática desse poema não é à toa: em breve, teremos o equinócio da primavera, porém devo alertá-los que o poema não tem um tom primaveril e sim sombrio. O título do poema é devidamente explicado em seus versos.

EQUINÓCIO

Aguarda-se uma igualdade que nunca virá
A luz não iluminará de forma simétrica
Tudo isso não passa de uma esperança excêntrica
Já que há um solstício sem fim

Talvez não haja mais hiperbólicas preocupações
Nem esta melancolia travestida de incessante depressão
Quiçá tamanho espaço desnecessário e inócuo
Repleto de sofrimento e angústias para o coração!

Porém o devir possui vontade própria
E o curso das coisas naturais não se pode mudar
Se os efeitos da luz deseja-se sentir
É imperativo que o sujeito tenha que se deslocar!

Contudo,  persiste a inexorável dúvida
Acerca da (im)possibilidade do movimento:
Será que o indivíduo pode alcançar outro hemisfério
Ou estará condenado a uma eterna noite polar?






segunda-feira, 23 de junho de 2014

O retorno da melancolia

   Muito boa noite, meus queridos e queridas! Depois de muito tempo, cá estamos novamente, nesta fria noite de inverno. Por favor, entrem a lareira já está acesa, acomodem-se!
   Como devem ter notado, ultimamente andei mostrando poemas não tão melancólicos quanto os que costumo escrever e essa foi uma característica pela qual sou conhecido entre aqueles que acompanham meu trabalho e é um desses poemas mais tristes que lhes mostrarei hoje. Espero que gostem!

                                  ESCURIDÃO, SOLIDÃO


                         imagem retirada do endereço www.cantoescurodomeuquarto.blogspot.com                 


Em um mundo escuro
Em que às vezes há luz
Neste mundo de água limpa
Às vezes a mesma vira pus

Esse mundo é minha moradia
Meu lar, pobre lar
Vermes na mente e na alma
Vivem a me atormentar

Eu sei, preciso de alguém
Mas será que precisam de mim?
Encarcerado dentro de mim mesmo
Será esse o meu fim?

Um mundo de trevas
Um mundo de solidão
Eu sou o perigo
Por favor, pegue minha mão!

Desejo libertar-me
De minha prisão
Mas não tenho para onde ir...
Continuarei na escuridão, na solidão

sexta-feira, 7 de março de 2014

Mulheres/ Women/ Femmes/ Mujeres

    Boa noite, especialmente para as minhas amigas! Hoje é um dia especial para vocês! Parabéns por toda a luta e saibam que este poeta, que além de filósofo e anarquista, é feminista (por que não ser?) e apoia a vossa luta, além de nutrir por vós uma enorme admiração e uma certa inveja. Não sei se consegui exprimir meu sentimento por todas nesse poema... mas espero que gostem do meu estranho jeito de homenagear-lhes. (abaixa a cabeça, demonstrando uma certa timidez, assim como um pouco de nervosismo)

                                    INVEJA



Se eu fosse uma mulher usaria sapatos vermelhos
Certamente abusaria de belíssimos babados
Usaria batom violeta e esmaltes diversos
Teria uma maior opção de adereços para usar

Não teria vergonha do meu gênero
Não seria temida ao ser vista
Não olharia meu oposto como se fosse carne
Não pediria desculpas pelas minhas iguais

Sentiria a atroz dor do parto
De mim correria um rio escarlate
Enfrentaria um exército machista
Tendo que lutar para ser eu mesma...

...Paradoxalmente sofreria mais e seria bem mais feliz...


 (levanta a cabeça e dá um tímido sorriso)
 ... então é isso. Feliz dia para todas vocês!







segunda-feira, 3 de março de 2014

Desejos e paixões

     Boa noite, queridos visitantes! Sejam bem-vindos mais uma vez ao meu lar poético-filosófico. Fiquem à vontade. Sugiro ficarmos aqui na entrada, aproveitando essa brisa suave da madrugada, para nos protegermos deste calor atroz que anda nos castigando.
      Hoje mostro-lhe um poema que foi baseado nos ensinamentos budistas e em meus estudos, reflexões e experiências acerca das paixões e desejos humanos. Acrescento ao mesmo uma epígrafe que é um trecho do livro " A doutrina de Buda". Espero que gostem e que possam refletir sobre o assunto.

                                     RUÍNA


A retina é muito apegada ao passado
Insistindo em imortalizar algo perecível
Assim como o coração ama o que foi acumulado
Tornando-se bastante furioso e inflexível

O mel na lâmina é gostoso
Contudo não se deve dele provar
Já que além de agradável, é danoso
Podendo até mesmo a vida obliterar

É estupidez tomar veneno para matar a sede
Tudo culpa de um desejo maldito
Que aprisiona o ser numa grande rede
Fazendo o sofrimento parecer infinito

Capturado pelas ondas da ignorância
Afogou-se rapidamente no desespero
Tudo começou por causa da ganância
Então o ser perdeu-se por inteiro

Infelizmente os erros são justificados
Usando-se o adágio “Errar é humano”
O certo torna-se mais incomum do que o errado
E o ser torna-se cada vez mais insano!

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

É hora da revolução!

   Boa noite, meus caros! Sejam bem-vindos, mais uma vez! Fiquem à vontade, como é de vosso feitio e de meu agrado.
   O poema de hoje é mais um que foge do meu padrão de escrita. Este fala sobre revolução, mas uma revolução esquecida por muitos, como ficará claro no decorrer de vossa leitura. Espero que absorvam a mensagem e que a ponham em prática, assim estarão tornando a vossa vida e as do que estão ao vosso redor melhores.

          IMPERATIVO REVOLUCIONÁRIO


Faça a revolução
Para separar-se de todas as massas
Faça a revolução
Para não possuir mais ilusões
Faça a revolução
Para destruir por completo o narcisismo
Faça a revolução
Para se tornar alguém interessante
Faça a revolução
Para poder tocar meu corpo
Faça a revolução
Para contaminar-me com tua saliva
Faça a revolução
Para rejeitar-me, se assim quiser
Faça a revolução
Para não depender de mim nem de ninguém
Faça a revolução
Para ver as pessoas duma forma horizontal
Faça a revolução
Para que possamos ser felizes

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Coisas a serem pedidas

    Muito noa noite! Como vão? Sejam bem-vindos mais uma vez a este humilde reduto, pertecente a este poeta que vos fala!
    Desta vez, ocorreu algo um tanto inusitado: ocorreram dois encontros nossos na mesma semana! Isso significa que começamos e terminaremos a semana de forma poética. Uma notícia boa para todos nós, pelo menos assim penso eu. Bom, vamos ao poema. Espero que esteja do vosso agrado.

PEDIDO

Lembre-se de mim quando houver monotonia
Quando não mais houver lascívia
Quando tua alma não mais estiver sedenta
Quando de dor tua mente estiver isenta

Lembre-se de mim quando houver silêncio
Quando não mais houver dispêndio
Quando não mais houver expectativa
Quando tua consciência não for mais cativa

Neste momento saberás o que é ataraxia
Então não precisarás ler nenhuma profilaxia
A panaceia não será mais diminuir a distância
E sim dar à solidão sua devida importância


segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Não tão profundo

   Boa noite, queridos e queridas visitantes. Entrem, a noite hoje está mais fria do que de costume. Fiquem à vontade.
    Primeiramente, gostaria de chamar a atenção para um fato curioso, não sei se perceberam mas não costumo chamá-los para apresentar algo nas Segundas-feiras, é uma exceção. Creio que isso nunca aconteceu, não que eu lembre, ao menos.
    A segunda coisa para qual gostaria de chamar a atenção é para o poema, que difere de outros que escrevo por ser mais objetivo (pelo menos da minha maneira). Espero que isso não tire a qualidade do mesmo e que possam apreciá-lo, como já apreciaram outros poemas meus.

SUPERFICIAL

É tão egoísta sentir-se bem
Porque agradam-te com palavras
Que não refletem a realidade
E são um tanto destituídas de racionalidade

Não importa o que se diga e se faça
As elegias insistem em não acabar
O amargo momentaneamente torna-se doce
E a escuridão torna-se luz

Belas letras! Belas palavras! Belas frases!
Influenciadas por uma agradável e curta presença
Contudo se a permanência fosse mais extensa
Elas seriam menos bonitas e escassas

Gratidão! Aceitar o afeto sempre!
Ouvir atenta e minuciosamente os agrados
Mesmo que estes sejam motivados
Por uma visão superficial do todo!

No mais, é preciso seguir em frente
Quem sabe, um dia estas ingênuas palavras
Possam de fato fazerem mais sentido

Já que é inexorável a rotina da impermanência